Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A ELEGÂNCIA DA QUINTA DE CIDRÔ

por José Manuel Moroso, em 04.07.16

20160628_GONCALO VILLAVERDE_0042.JPG

 FAMOSA pelos seus brancos, a Quinta de Cidrô, em São João da Pesqueira, Douro, apresentou as suas colheitas de 2015 e uma de 2014 (Boal). O facto de 2015 ter sido um ano muito seco naquela zona, trouxe preocupações acrescidas ao enólogo Jorge Moreira, que chegou a temer que os vinhos tivessem falta de acidez. Afinal, foi alarme falso e depois de feitas análises sobre análises, verificou-se estar tudo normal. O primeiro branco a vir para a prova foi o QUINTA DE CIDRÔ ALVARINHO, que revelou estrutura e elegância. Aromas finos, apresentando notas cítricas e de flor de laranjeira, tornam-no muito agradável e a sua acidez e mineralidade contribuem para o nomear com um grande vinho. É especialmente indicado para peixe e mariscos grelhados.

Seguiu-se-lhe o SAUVIGNON BLANC, um vinho que se mostrou ainda um bocadinho fechado e que por isso mesmo aguardaremos por outra prova, para que o tempo diga algo de sua justiça.

Quanto ao BOAL (casta também conhecida como Semillon) é de 2014, e tivemos curiosidade em saber a razão de ter sido incluído entre os 'jovens' de 2015. Jorge Moreira explicou-nos que pelo facto de ser uma casta neutra em termos aromáticos, a sua mais-valia é terciária, e quando é novo não consegue esconder uma enorme acidez. Por esta razão, guardá-lo mais tempo em garrafa só lhe confere mais atributos. Fomos encontrar nele notas florais e frutas como o pêssego e a ameixa. Final longo e persistente e persistente. Este vinho pode ser bebido como aperitivo ou a acompanhar peixes grelhados.

Chegou a altura do CHARDONNAY, um vinho que o enólogo está a fazer com que se apresente cada vez mais 'leve', menos marcado pela madeira. Mesmo assim, apresenta uma intensidade e concentração que o dão como apto a acompanhar qualquer refeição, ainda que brilhe mais com pratos de bacalhau, mariscos e saladas. Aromas tropicais como ananás, pêssego e pêra, bem inegrados com algumas notas de madeira, apresenta boa acidez, frescura e uma final de boca longo e persistente.

E se é um facto que estamos no Douro, a casta que se seguiu será, talvez, a mais improvável de nos chegar vinda daquelas paragens. Estamos a falar da GEWURZTRAMINER. Vinho extremamente aromático, com os tradicionais aromas a rosas e líchia, e que ao mesmo tempo se apresenta seco, austero e com boa acidez. Ideal para sushi, pratos com caril e outros pratos orientais.

Finalmente, chegou a vez do QUINTA DE CIDRÔ ROSÉ, que foge à moda das cores pálidas, para se apresentar com cor forte. Muito gastronómico, exibe notas de cereja e florais. Refrescante, boa acidez e bem equilibrado.

Seis vinhos que revelaram grande qualidade e a justificar o valor que os consumidores dão cada vez mais aos produtos saidos de vinhas altas, que se apresentam mais 'leves' e mais frescos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

PARE, ESCUTE E OLHE

por José Manuel Moroso, em 29.05.16

Quinta Bandeiras _6981.jpg

O MARCO, como que surgido do nada, obriga-me a parar por mera curiosidade. No meio de uma enorme serra e de uma descida íngreme até ao rio Douro, deparo com este insólito aviso. Procuro a linha férrea e lá a descubro, quase totalmente enterrada. Com muita dificuldade, vou desenhando, por entre árvores e vegetação, o que teria sido o percurso daquele comboio que, dizem-me, ia até Miranda.

Estou no Douro Superior, mais precisamente na Quinta das Bandeiras, que faz parte de um projecto cujos responsáveis são a família Bergqvist e o enólogo Jorge Moreira. Os primeiros já eram donos da Quinta de La Rosa, no Pinhão, e o segundo é proprietário da Quinta do Poeira, em Provesende (Cima Corgo).

Jorge, que é também enólogo na Quinta de La Rosa, sempre sonhou fazer vinhos no Douro Superior e abraçou com alma e coração esta 'fifty-fifty joint venture' em 2005. Dos 100 hectares da propriedade, que se ergue na margem oposta à famosa Quinta do Vale Meão, já existiam 7 de vinhas velhas, mas depois foram plantados mais 25 na parte de baixo da quinta, mesmo junto ao rio, com maior predominância de Touriga Nacional e Touriga Franca.

E é daqui que acabou de sair o vencedor para o Melhor Branco do 5º Concurso de Vinhos do Douro Superior, o Passagem Reserva 2015 (10,20 euros), mas o evento organizado pela Câmara Municipal de Foz Côa e pela Revista de Vinhos premiou ainda, na categoria 'Vinho do Porto', mais dois vinhos desta propriedade: o Passagem LBV 2010 -Medalha de Ouro - (11,40 euros) e o Passagem Vintage 2011 - Medalha de Prata - (40 euros).

O grande campeão, o Passagem Grande Reserva 2015, caracteriza-se, no nariz, por revelar notas de fruta branca e ao nível da boca mostrou um grande ataque e excelente acidez. Equilibrado e com longo final de boca, tem ainda muito para andar e brilhar.

QTA DAS BANDEIRAS4.JPG

 Apresentando mineralidade, é um vinho fresco e moderno do qual foram produzidas 2800 garrafas e o seu nome Passagem deve-se ao facto de ter existido a tal passagem de nível em plena propriedade.

Quer este Passagem Grande Reserva 2015 quer os Porto são, também, uma agradável passagem para os nossos palatos. A não perder!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Festival superior no Douro ... Superior

por José Manuel Moroso, em 27.05.16

EV Foz Coa 2016 (37).jpg

PASSAGEM Reserva Branco 2015 (da família Bergqvist e Jorge Moreira), Quinta do Grifo Grande Reserva Tinto 2011 (da Rozés) e Maynard's Porto Colheita Branco 2007 (da Barão de Vilar Vinhos), são os grandes vencedores do Concurso de Vinhos do Douro Superior 2016, evento integrado no 5º Festival do Vinho do Douro Superior e da responsabilidade da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa e da Revista de Vinhos.

37 jurados avaliaram os 144 vinhos a concurso, numa prova que já é famosa por reunir vinhos de topo portugueses que, ao contrário do habitual, se submetem à apreciação do painel. Os resultados deste ano foram autênticas surpresas num universo de grande qualidade.

A par do concurso, o Festival, que contou com mais de 7000 visitantes, foi enorme montra dos vinhos e sabores do Douro Superior.

Autoria e outros dados (tags, etc)

ANA NO PRATO, MATILDE NO COPO

por José Manuel Moroso, em 11.03.16

Ana Moura 1.jpg

A RECENTE apresentação dos vinhos Dona Matilde levou-me a conhecer um hotel de charme -- Torel Palace, perto do Campo Mártires da Pátria -- e o seu restaurante Cave 23, cuja cozinha é liderada pela jovem chefe Ana Moura, que me deslumbrou com a qualidade e o saber do seu trabalho. Estavam três coisas em jogo: a qualidade das novas colheitas Dona Matilde, a mestria da chefe e o sempre difícil desafio da harmonização.

A entrada de Perdiz com beringela, gema de ovo curado, sementes de girassol, chicória, romã, croissant e vermute (na foto de cima) começou por me assustar. Como se comportaria o muito jovem Dona Matilde Branco 2015 com o escabeche de perdiz? Comecei por provar cada um dos elementos e a profusão de sabores intensos (imagem de marca da chefe Ana Moura) foi deveras empolgante. Quanto ao duriense Dona Matilde Branco 2015 (que vai sair agora para o mercado ao preço de 9 euros), foi feito com as castas Arinto, Rabigato, Viosinho e algum Gouveio e revelou-se muito competente no casamento com o difícil prato. Melhor ainda quando subiu à cena o Dona Matilde Branco 2014, a revelar mais traquejo devido ao ano de vantagem sobre a nova colheita.

Ana Moura 2.jpg

 O prato que se seguiu, não me assustou; deixou-me em pânico! A mim e a todos os que estavam à mesa. A chefe Ana Moura confecionou um pregado, acompanhado de fígado do mar, alho, cognac, tapioca, maracujá e azeite (foto de cima) e decidiu que a harmonização fosse feita com um ... Dona Matilde Tinto 2011, feito de vinhas velhas onde predominam a Touriga Nacional, a Touriga Franca e a Tinta Amarela. De novo, embrenhei-me na prova de cada elemento. Que sabores extraordinários e tudo elegantemente combinado com o maracujá. Uma delícia. Depois, a medo, levei o copo à boca. O Dona Matilde Douro Tinto 2011 mostrou-se intenso, com notas de amora e ameixa preta, revelou estrutura e um prolongado final de boca. Suspirei de alívio quando comprovei que o casamento era magnífico e o pregado, em vez de fugir a nadar prato fora, recebeu de braços abertos esta ousadia da chefe Ana Moura.

Foi então a vez de partir para um desafio mais calmo. A um Dona Matilde Reserva Tinto 2011 coube a honra de acompanhar um magnífico leitão com ruibarbo, foie gras, pimenta preta, cabernet sauvignon, coentros e chalota. Outro festim de sabores, com a pimenta a baralhar tudo e a vir a jogo com quatro ases.

Uma tarde de êxito para Ana Moura e também para os vinhos da Quinta Dona Matilde que ainda nos brindaram com um interessantíssimo Porto Clheita 2008.

Uma prova e uma refeição para não esquecer. E recordem-se bem deste nome: Ana Moura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

1 vinho tinto.jpg

A ESSÊNCIA DO VINHO, evento que decorreu entre 25 e 28 de Fevereiro no Palácio da Bolsa, no Porto, teve o seu momento alto na eleição «TOP 10 Vinhos Portugueses», onde 30 jurados de 13 nacionalidades provaram um total de 53 vinhos previamente selecionados pela revista Wine.

De entre os 31 vinhos tintos saiu vencedor o Júlio B. Bastos Grande Reserva Alicante Bouschet 2012, da Quinta de D. Maria (Alentejo). Já no que se refere aos brancos, a distinção foi para o Douro, para o Mirabilis Grande Reserva 2014, da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, que se destacou entre os 9 a concurso. Finalmente, o destaque na categoria dos fortificados (13 vinhos) foi para  Henriques e Henriques Tinta Negra 50 anos (Madeira).

Na categoria dos tintos, destaque ainda para o 2º lugar do Quinta da Touriga Chã 2013 (Jorge Rosas, Douro) e para o 3º que premiou o Vinha de Lordelo 2011 (Domingos Alves de Sousa, Douro). Ns brancos, o 2º lugar foi atribuído ao Soalheiro Primeiras Vinhas 2014 e o 3º foi para o Quinta dos Carvalhais Branco Especial. Por último, o quadro de honra dos vinhos fortificados ficou completo com o Barros Colheita 1938 (2º) e com o JMF Alambre 40 Anos Moscatel de Setúbal (3º).

Esta 13ª edição da Essência do Vinho, que conseguiu reunir 20 mil visitantes ao longo dos quatro dias, trouxe até ao público mais de 3000 vinhos de 350 produtores.

Autoria e outros dados (tags, etc)

NA SUÍÇA BEBO VINHOS ... FRANCESES

por José Manuel Moroso, em 14.02.16

CHATEAU 4367-640x480-etiquette-chateau-rauzan-segl

 UMA visita à manufactura da Omega, em Biel, na Suíça, levou-me à descoberta de um grande vinho. Convidado para um almoço com o presidente da Omega, Stephen Urquhart (e depois de uma interessante visita ao museu da famosa marca relojoeira), fui surpreendido com um tinto com história: um Château Rauzan-Ségla 2006. 

O 'Domaine' de Rauzan, fundado em Setembro de 1661, situa-se em Bordéus e o seu primeiro propiretário - Pierre Desmezures de Rauzan -, deixou tradição na casa. Com efeito, à época já ele era o responsável pelo Château Margaux e de seguida recebeu também a responsabilidade de tomar em mãos o famoso Château Latour.

E foi com esta embalalagem que parti para a prova do Château Rauzan-Ségla 2006, um belíssimo tinto feito com Cabernet Sauvignon (54%), Merlot (40%), Petit Verdot (5%) e cabernet Franc (1%).

Com uma fruta deslumbrante, teve um enorme ataque na boca e conseguimos destacar aromas de folhas de louro, groselha, trufas e um toque de tosta. Acidez equilibrada, complexidade, taninos bem domados e um longo final de boca revelaram um grande vinho.

Já na véspera, ao jantar no Hotel DuPeyrou, em Neuchâtel, provámos outro belo tinto de Bordéus, um Château Leoville Poyferrée 2001, elaborado com as mesmas castas do anterior mas muito longe deste quanto à qualidade exibida. Enfim, dois dias na Suíça a visitar uma grande marca relojoeira, a Omega, e a beber grandes vinhos ... franceses.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

MAIS DUAS PRECIOSIDADES DO DOURO

por José Manuel Moroso, em 01.02.16

QUINTA DE CIDRO.jpg

 DEPOIS de aqui ter falado no Moscatel Ottonel Branco 2014, que passou a integrar a linha de vinhos Séries (o espaço de inovação e experimentação da Real Companhia Velha), deixo agora mais duas novidades desta casa duriense: o Quinta de Cidrô Marquis Tinto 2012 e o Evel XXI Grande Reserva Tinto 2012.

O primeiro vem na sequência do Quinta do Cidrô Celebration Tinto 2010, um vinho lançado para homenagear o Marquês de Soveral, nascido nesta quinta de S. João Da Pesqueira, em 1851. O Marquis Tinto 2012 foi feito com 60% de Touriga Nacional e 40% de Cabernet Sauvignon, casta que se dá muito bem nas zonas altas e que confere aos vinhos uma enorme longevidade. Demonstrou que é um vinho ao mesmo tempo potente e elegante e cujas uvas foram fermentadas em cubas de inox e posterior estágio em barricas de carvalho francês (metade das quais eram novas), por um período de 14 meses.

Muito complexo no nariz, evidenciou aromas apimentados, fruta preta e baunilha. Muito fresco, tem um enorme potencial de evolução em garrafa, tendo sido colocadas no mercado 3573.

Este vinho vem provar que também se podem fazer vinhos tintos muito interessantes nas zonas mais altas. Da Quinta de Cidrô, cujo palacete dizem estar assombrado por um 'bom' fantasma, sai assim um bom vinho, e este é bem real.

E por falar em real, abordemos agora a segunda novidade da Real Companhia Velha, o Evel XXI Grande Reserva Tinto 2012. Muito diferente do anterior, como não poderia deixar de ser, até porque vem de uma outra zona do Douro. Estamos a falar da Quinta do Síbio, na margem direita do rio e situada entre o Pinhão e Alijó. Aqui, entramos no Douro clássico, com o terreno em socalcos e vinhas com mais de 100 anos de idade. Este é um local com mais concentração e maior potência aromática, sendo de registar que este lote de vinhas velhas, Touriga Nacional e Touriga Franca foi equilibrado com uvas da Quinta das Carvalhas, toque que lhe conferiu mais corpo e complexidade. Enfim, boas novidades que vêm da Real Companhia Velha. Este vinho, que dá continuidade à edição comemorativa dos 100 anos da marca, fermentou 50% em lagares e 50% em cubas de inox, estagiando depois durante um ano em barricas novas de carvalho francês. Deste belíssimo vinho foram colocadas 3000 garrafas e tanto este como o anterior estão no mercado a 40 euros.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

EXPERIÊNCIA BEM SUCEDIDA NA REAL COMPANHIA VELHA

por José Manuel Moroso, em 22.01.16

RCV Series Moscatel Ottonel branco 2014.jpg

A REAL Companhia Velha junta aos pergaminhos da sua ilustre história uma visão de modernidade e acompanhamento dos novos tempos e tecnologias. É já conhecida a sua linha de vinhos 'Séries', uma área aberta à inovação e experimentação na procura de novos vinhos, partindo em busca de diferentes técnicas, abordagens, estilos e castas.

O mais recente passo está aqui bem presente com este Real Companhia Velha Séries Moscatel Ottonel Branco 2014, feito com uvas de uma variedade de Moscatel que é pouco utilizada em Portugal e que tem o seu campo de eleição na Áustria e na região francesa da Alsácia.

A Real Companhia Velha plantou, em 2003, na Quinta do Casal da Granja (Alijó), 2 ha desta variedade. Situada num planalto a 600 metros de altitude, esta propriedade assume-se como um Douro atípico, com solos mais férteis, clima muito fresco e grande humidade relativa, um 'terroir' de eleição para este Moscatel Ottonel exibir todo o seu carácter aromático.

Mais elegante do que o conhecido Moscatel Galego, o Ottonel é uma casta claramente aromática, com grande componente floral e muita acidez. As notas de líchia fazem-nos lembrar, por exemplo, a Gewurztraminer, e o seu paladar encantou-nos.

Este é um vinho muito gastronómico e tem um excelente potencial de guarda. Fizeram-se apenas 1204 garrafas deste branco fermentado em cubas de inox, estagiando aí até ao engarrafamento e onde repousou durante mais seis meses. No mercado, o seu preço está fixado em 15 euros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Baga, a rainha da Bairrada

por José Manuel Moroso, em 15.01.16

Kompassus_Private.jpg

Kompassus Espumante blanc de noirs.jpg

 DEPOIS de ter falado no projecto bairradino de João Póvoa, ao qual atribuiu o nome Kompassus, e da sua paixão pelo estudo da casta Baga, acabei por publicar um Kompassus Alvarinho Reserva 2014 decidido, desde logo, a testemunhar a grande qualidade deste vinho. Mas agora, para que a justiça seja feita, há que compor o cenário e dar aqui lugar à casta Baga, que cada vez ganha mais força na Bairrada, mas é também comum no Dão e Tejo.

Atenção que não é uma casta fácil, com os vinhos a apresentarem níveis elevados de taninos e acidez, sobretudo nos tempos mais recuados em que não se fazia o desengaço, mas com provas dadas em bons envelhecimentos.

O primeiro vinho é um Kompassus Private Collection de 2011 e feito apenas com a casta Baga. As uvas são de uma vinha velha e o vinho, feito em inox, estagiou depois em barrica de 400 litros, muito ao estilo do enólogo Anselmo Mendes. Os taninos são finos, muito equilibrados e o estágio em madeira doma a casta, mas está bem harmonizado, sem excessos. Este, pode dizer-se, é um típico vinho bairradino. Quanto ao Private Collection 2013, que ainda não está no mercado mas já o provámos, está ainda mais equilibrado e mais fresco. É um vinho que explode na boca e dentro de um ano (altura em que virá a público) estará divinal.

Mas falar na Bairrada e não ir buscar um espumante era uma enorme falha. Por isso, deixo aqui também o Kompassus Blanc de Noirs 2011, feito com Touriga Nacional, Pinot Noir e, claro, Baga. Apresenta enorme estrutura, grande acidez, volume na boca e, garanto-vos, com tudo isto é um espumante muito gastronómico.

Enfim, uma prova muito positiva e que mostrou vinhos com grande qualidade.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

UM ALVARINHO DA BAIRRADA

por José Manuel Moroso, em 12.01.16

kompassus_alvarinho.jpg

 VAMOS hoje de viagem até à Bairrada e a um novo projecto que dá pelo nome de Kompassus, nome inspirado no compasso das videiras. O produtor é João Póvoa, um médico oftalmologista em Coimbra, neto de outro produtor, que foi quem lhe passou a paixão pelo estudo dos solos e castas da Bairrada, com destaque, claro está, para a Baga.

Este projecto vem na sequência da venda, em 2007, da sua Quinta de Baixo, virando-se então para o seu 'terroir' de eleição situado no eixo Cordinhã/Ourentã. É aqui que produz vinhos tintos, brancos e espumantes, em solos argilo-calcários, mas o que hoje aqui quero destacar não é a casta Baga mas sim o seu Alvarinho Reserva 2014.

Anselmo Mendes é agora o enólogo que trabalha com João Póvoa, e para este minhoto de nascença, o seu historial a fazer vinhos por todo o país (região dos Vinhos Verdes, Douro, Lisboa, Alentejo e Açores) ficou agora completo com este convite para a Bairrada. Esta região, de facto, aproxima-se do seu ideal: vinhos que demonstram elevados níveis de acidez e de taninos e com grande capacidade de envelhecimento. Mas Anselmo teve outra importante motivação: «Para mim, é mais um desafio. Sempre quis experimentar fazer um Alvarinho em solos calcários».

Para quem a casta Alvarinho é a sua 'alma gémea', Anselmo meteu mãos à obra e recorreu também a uma outra sua imagem de marca: a fermentação das uvas Alvarinho em barricas de madeira, neste caso em pipas de 400 litros já usadas.

Chegou-nos então à boca um vinho a revelar ataque imediato, acidez bem presente e com um carácter salino que lhe é dado precisamente pelo solo calcário. Uma experiência bem resolvida por Anselmo Mendes, que assim nos traz um Alvarinho Reserva 2014 de grande qualidade e que está nas prateleiras (atenção que só foram produzidas 700 garrafas) ao preço de 15 euros.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D