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ANA NO PRATO, MATILDE NO COPO

por José Manuel Moroso, em 11.03.16

Ana Moura 1.jpg

A RECENTE apresentação dos vinhos Dona Matilde levou-me a conhecer um hotel de charme -- Torel Palace, perto do Campo Mártires da Pátria -- e o seu restaurante Cave 23, cuja cozinha é liderada pela jovem chefe Ana Moura, que me deslumbrou com a qualidade e o saber do seu trabalho. Estavam três coisas em jogo: a qualidade das novas colheitas Dona Matilde, a mestria da chefe e o sempre difícil desafio da harmonização.

A entrada de Perdiz com beringela, gema de ovo curado, sementes de girassol, chicória, romã, croissant e vermute (na foto de cima) começou por me assustar. Como se comportaria o muito jovem Dona Matilde Branco 2015 com o escabeche de perdiz? Comecei por provar cada um dos elementos e a profusão de sabores intensos (imagem de marca da chefe Ana Moura) foi deveras empolgante. Quanto ao duriense Dona Matilde Branco 2015 (que vai sair agora para o mercado ao preço de 9 euros), foi feito com as castas Arinto, Rabigato, Viosinho e algum Gouveio e revelou-se muito competente no casamento com o difícil prato. Melhor ainda quando subiu à cena o Dona Matilde Branco 2014, a revelar mais traquejo devido ao ano de vantagem sobre a nova colheita.

Ana Moura 2.jpg

 O prato que se seguiu, não me assustou; deixou-me em pânico! A mim e a todos os que estavam à mesa. A chefe Ana Moura confecionou um pregado, acompanhado de fígado do mar, alho, cognac, tapioca, maracujá e azeite (foto de cima) e decidiu que a harmonização fosse feita com um ... Dona Matilde Tinto 2011, feito de vinhas velhas onde predominam a Touriga Nacional, a Touriga Franca e a Tinta Amarela. De novo, embrenhei-me na prova de cada elemento. Que sabores extraordinários e tudo elegantemente combinado com o maracujá. Uma delícia. Depois, a medo, levei o copo à boca. O Dona Matilde Douro Tinto 2011 mostrou-se intenso, com notas de amora e ameixa preta, revelou estrutura e um prolongado final de boca. Suspirei de alívio quando comprovei que o casamento era magnífico e o pregado, em vez de fugir a nadar prato fora, recebeu de braços abertos esta ousadia da chefe Ana Moura.

Foi então a vez de partir para um desafio mais calmo. A um Dona Matilde Reserva Tinto 2011 coube a honra de acompanhar um magnífico leitão com ruibarbo, foie gras, pimenta preta, cabernet sauvignon, coentros e chalota. Outro festim de sabores, com a pimenta a baralhar tudo e a vir a jogo com quatro ases.

Uma tarde de êxito para Ana Moura e também para os vinhos da Quinta Dona Matilde que ainda nos brindaram com um interessantíssimo Porto Clheita 2008.

Uma prova e uma refeição para não esquecer. E recordem-se bem deste nome: Ana Moura.

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