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VAMOS hoje de viagem até à Bairrada e a um novo projecto que dá pelo nome de Kompassus, nome inspirado no compasso das videiras. O produtor é João Póvoa, um médico oftalmologista em Coimbra, neto de outro produtor, que foi quem lhe passou a paixão pelo estudo dos solos e castas da Bairrada, com destaque, claro está, para a Baga.
Este projecto vem na sequência da venda, em 2007, da sua Quinta de Baixo, virando-se então para o seu 'terroir' de eleição situado no eixo Cordinhã/Ourentã. É aqui que produz vinhos tintos, brancos e espumantes, em solos argilo-calcários, mas o que hoje aqui quero destacar não é a casta Baga mas sim o seu Alvarinho Reserva 2014.
Anselmo Mendes é agora o enólogo que trabalha com João Póvoa, e para este minhoto de nascença, o seu historial a fazer vinhos por todo o país (região dos Vinhos Verdes, Douro, Lisboa, Alentejo e Açores) ficou agora completo com este convite para a Bairrada. Esta região, de facto, aproxima-se do seu ideal: vinhos que demonstram elevados níveis de acidez e de taninos e com grande capacidade de envelhecimento. Mas Anselmo teve outra importante motivação: «Para mim, é mais um desafio. Sempre quis experimentar fazer um Alvarinho em solos calcários».
Para quem a casta Alvarinho é a sua 'alma gémea', Anselmo meteu mãos à obra e recorreu também a uma outra sua imagem de marca: a fermentação das uvas Alvarinho em barricas de madeira, neste caso em pipas de 400 litros já usadas.
Chegou-nos então à boca um vinho a revelar ataque imediato, acidez bem presente e com um carácter salino que lhe é dado precisamente pelo solo calcário. Uma experiência bem resolvida por Anselmo Mendes, que assim nos traz um Alvarinho Reserva 2014 de grande qualidade e que está nas prateleiras (atenção que só foram produzidas 700 garrafas) ao preço de 15 euros.